Geopolítica mundial: a relação entre os BRICS e os Estados Unidos
A formação dos BRICS
O BRICS é um agrupamento político-econômico
de países emergentes, criado inicialmente como BRIC em 2006 (Brasil,
Rússia, Índia e China) para alterar a governança global. Com a entrada da África do Sul em 2011, consolidou-se como BRICS. Em
2024, o grupo se expandiu, adicionando novos membros plenos, incluindo Irã,
Egito, Emirados Árabes Unidos e Etiópia.
Principais
Marcos da Formação e Expansão:
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2001 (O Conceito): O termo BRIC foi cunhado pelo economista
Jim O'Neill (Goldman Sachs) para descrever economias com alto potencial de
crescimento.
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2006 (Formação Oficial):
Reunião
dos ministros das Relações Exteriores de Brasil, Rússia, Índia e China na ONU
·
2009 (1ª Cúpula): Primeiros chefes de Estado se reúnem na Rússia.
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2011 (Expansão): A África do Sul integra o grupo, transformando-o em BRICS.
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2014 (Estruturação): Criação do Novo Banco de
Desenvolvimento (NDB) (Banco
do BRICS) em Fortaleza, com foco em financiar infraestrutura e desenvolvimento.
·
2023-2024 (Expansão do BRICS+): Na cúpula de Joanesburgo (2023), foi aprovada
a entrada de novos membros, efetivada em 2024 com Irã, Egito, Etiópia e
Emirados Árabes Unidos.
Objetivos
e Características:
O grupo visa aumentar a cooperação entre membros do "Sul Global",
reduzir a dependência do dólar em transações e reformar instituições como FMI e
ONU. O BRICS não é um bloco formal (como a União Europeia), mas um fórum de diálogo
sem secretariado permanente.
Membros
Atuais (a partir de 2024/2025):
Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Irã, Emirados Árabes
Unidos, Etiópia e Arábia Saudita (processo de adesão).
A relação entre os BRICS e os
Estados Unidos
A relação geopolítica entre os BRICS e os Estados Unidos é
marcada por uma crescente tensão e competição, na medida em que o bloco de
nações emergentes (agora ampliado) busca consolidar uma ordem multipolar,
desafiando a hegemonia ocidental liderada pelos EUA. O BRICS, representando
significativa fatia da população e PIB mundiais, atua para reduzir a
dependência do dólar, impulsionar trocas em moedas nacionais e criar
alternativas financeiras ao FMI/Banco Mundial.
Pontos-chave
da relação BRICS x EUA:
·
Desafio à Hegemonia: Os BRICS buscam ativamente reconfigurar a governança global,
diminuindo a influência americana no cenário internacional, agindo como um
"polo" para o Sul Global.
·
Desdolarização e Sanções: Países como Rússia e China, alvo de sanções
americanas, lideram esforços para desvincular transações comerciais do dólar. O
Banco dos BRICS (NDB) é visto como alternativa ao sistema financeiro
tradicional.
·
Expansão e Estrutura: A entrada de novos membros (Irã, Arábia
Saudita, Egito, EAU, Etiópia) fortalece o bloco, disputando áreas de
influência, como o Indo-Pacífico e o Atlântico Sul.
·
Reação dos EUA: Os EUA tentam conter a influência do bloco através de medidas
protecionistas, como a ameaça de tarifas elevadas (tarifasço) sobre produtos de
membros do grupo para proteger sua economia, evidenciando a guerra comercial
com a China e relações com o Brasil.
·
Multipolaridade vs. Unipolaridade: Enquanto os BRICS defendem o multilateralismo
e uma ordem menos concentrada, os EUA tentam manter sua posição unipolar, por
vezes questionando a legitimidade do bloco.
A relação
é, portanto, de cooperação econômica seletiva, mas de conflito estrutural, com
os BRICS tentando contornar as barreiras tecnológicas e financeiras impostas
pelos EUA.
Professora: Mirian de Oliveira Lira
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